Oscars, shake it the f*** up

The Academy Awards ou, como são mais conhecidos, The Oscars, vão já para a sua 90.ª cerimónia, que se realizará no dia 4 de março de 2018. Porém, é no dia 23 do presente mês que vamos conhecer os nomeados e as apostas não param de chegar – será que é desta que é lançada a primeira pedra que marca o caminho para a mudança?

Desde de 1929 que a Academia elege os melhores filmes, englobando clássicos intemporais como "E Tudo o Vento Levou", "O Padrinho", "A Lista de Schindler" e "12 Anos Escravo". No entanto, não há como ignorar o elefante na sala: uma grande falta de representação e de diversidade que se prolonga há demasiado e já deixou de ser aceitável.

Os progressos, mesmo que a pouco e pouco, têm sido feitos. A Academia convidou, nos últimos quatro anos, mais mulheres e minorias e prometeu, publicamente, que até 2020 iria duplicar os números neste campo, tentando assim incluir diferentes vozes no processo. E, desta vez, não parece ser uma promessa vazia. Em julho, a Academia deu um passo em frente e integrou 683 pessoas, o maior "grupo" que alguma vez admitiu, no qual 46% eram mulheres e 41% minorias.

Hoje, focamo-nos numa das minorias que tem vindo a ganhar destaque, deixando as suas pegadas nesta corrida pela igualdade – e olhem que os números não mentem.




As nomeações para os Oscars de 2017 foram algo mais diversas – 18 dos nomeados das várias categorias eram negros. No entanto, esta melhoria no último ano faz-nos questionar: será que estamos perante um avanço realmente importante que se prolongará ou perante uma pequena diferença para abafar as vozes críticas?

All rise for social media! Parece-nos justo colocar ainda uma outra questão, se não for inoportuno: foi mesmo necessária uma revolta, que se espalhou por essas redes sociais fora, para haver mudança? Uma rebelião online que atirou a Hollywood os seus podres. Há (quase) dois anos, por pouco não ouvíamos as teclas de computador a estalar sob os dedos furiosos dos internautas. #OscarsSoWhite, criada por April Reign em 2016, cresceu explosivamente e ligou todos aqueles que sentiam que algo estava errado em Hollywood. Em janeiro de 2017 o mote era diferente. Os tweets eram pequenas celebrações da nova diversidade das nomeações, mas ainda existe um longo percurso a fazer; continuam a existir várias minorias sub-representadas (latinos, LGBT, asiáticos, muçulmanos e mais). Será, por fim, este o seu ano? 

Mas, como poderão ser nomeados artistas (quer trabalhem à frente ou por trás das câmaras), se não lhes são dadas oportunidades para se mostrarem? Quantos filmes já viu, por exemplo, de histórias asiáticas representadas por um homem branco? E histórias LGBT, sendo estes representados por heterossexuais? Hollywood não reflete mais que a organização da sociedade em que vivemos e com a qual pactuamos, é indubitável que são necessárias mudanças muito maiores mas este, pela visibilidade que tem, talvez seja um bom lugar para começar.


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