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Her, filme dirigido por Spike Jonze, estreou no dia 14 de fevereiro de 2014 e venceu o Oscar para Melhor Roteiro Original. Muito resumidamente, é tratada a pouco provável história de amor entre Theodore Twombly, um homem recentemente marcado pelo final do seu casamento, com Samantha (se é que o podemos dizer assim), um sistema operativo que o preenche afetivamente e que passa a ser o seu braço direito no que toca a questões relativas tanto ao trabalho como ao dia-a-dia. Mais que tudo, esta película leva-nos a refletir sobre as relações humanas na era tecnológica (que é vista como um impulsionador da solidão).A ação desenvolve-se em Los Angeles, numa perspetiva futurista. A relação entre os dois cresce de forma rápida e espontânea, pendendo para o lado amoroso. No entanto, com o desenrolar do filme torna-se inevitável não colocar a seguinte questão: até que ponto possível manter uma relação com alguém não-físico? É no momento da concretização a nível do tato que surgem os problemas, uma vez que Samantha de facto não tem um corpo, mas ansia por um. Penso que uma das questões fulcrais do filme seja mesmo esta, a de retirar quaisquer fatores físicos, relativos à aparência e hormonais de uma relação amorosa e entender se esta funciona regardless ou se se torna num labirinto sem saída.
Nesta película, as cores são das primeiras coisas a gritar “estamos aqui para dar o mote e mostrar do que se trata”. Pouco depois do início do filme, o espectador é rapidamente remetido para um sentimento específico: nostalgia. A cidade de Los Angeles, normalmente representada como futurística e cheia de vida, passa a ter um ar nostálgico, que se faz acompanhar de um estado de depressão, presente tanto nas personagens como nos figurantes do filme – que parecem apenas deambular.
O vermelho é a cor que mais se destaca e, segundo o K. K. Barrett, o designer do mundo futurístico do filme, a cor “parece encaixar no temperamento de Theodore – a sua paixão, compaixão, solidão e esperança.” A cor rubra é tão paradoxal como o próprio protagonista. Também o amarelo recebe especial atenção no vestuário de Theodore, faz uma aparição em 3 vezes, dando a entender que é a cor estipulada para situações que envolvam situações femininas e tem significados distintos em cada uma delas (desespero, pureza e morte). Um outro detalhe nas cores utilizadas ao longo do filme é que os cenários envolventes são essencialmente de cores ocres; os flashblacks são vívidos, luminosos e coloridos.
Em suma, após 2 horas, em que somos “atingidos” com ações pausadas com especial enfoque nas respirações e nos pensamentos das personagens, deixamos o universo da sétima arte com inúmeras perguntas para as quais não existem resposta: irão os sistemas operativos algum dia substituir as relações entre humanos? Ficaremos um dia tão embrenhados no digital que nos tornaremos seres solitários por escolha? O que é, de facto, verdadeiro no mundo em que as interações acontecem cada vez mais através da tecnologia?
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